Flávio Bolsonaro tem pouca chance de liderar direita americana, aponta analista
A estratégia do senador Flávio Bolsonaro (PL) de buscar protagonismo político fora do território brasileiro foi alvo de análises sobre sua viabilidade e os riscos inerentes a essa manobra.
O poder exige presença física no jogo político Segundo Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium, a empreitada externa é planejada, porém esbarra em barreiras estruturais severas, principalmente pela distância geográfica em relação ao cenário de atuação.
“O poder se exerce a partir de vínculos de confiança, e a confiança só se constrói estando fisicamente e presencialmente para apertar uma mão e fechar um acordo”, declarou. O especialista ainda acrescentou: “Neste momento, eu duvido que o Flávio tenha essa capacidade”.
Decisão familiar e comparação com a Venezuela De acordo com a avaliação do analista, a mudança não ocorreu por impulso individual, mas sim por meio de um arranjo articulado dentro do próprio clã.
“Isso aqui não foi só uma escolha do Flávio, foi uma escolha negociada com Jair e com Eduardo, talvez até com Carlos”, afirmou. Para ele, as decisões do grupo ocorrem de forma coletiva.
Durante a análise, Gabiati comparou a situação à da oposicionista María Corina Machado, que comanda o movimento político venezuelano a partir do exterior. Contudo, ele ponderou que a realidade brasileira difere radicalmente do contexto daquele país vizinho, apesar de existirem conflitos institucionais no Brasil. “A partir desse movimento dos Bolsonaro, o Brasil ganha sua Corina Machado versão brasileira”, disse.
Impactos para o Partido Liberal no Congresso Outro ponto crítico levantado pelo especialista envolve o futuro do Partido Liberal, legenda que abriga a maior bancada da Câmara dos Deputados, somando 121 parlamentares. O número supera o recorde histórico do antigo PFL durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso, quando a sigla atingiu 105 deputados federais.
Apesar da expressiva força numérica, a ausência de uma coordenação política centralizada ameaça o aproveitamento desse capital eleitoral. “O grande problema aqui é que o PL tem a maior bancada da Câmara, mas hoje não tem líder”, afirmou.
Sem uma liderança ativa capaz de unificar e direcionar os parlamentares, todo o peso eleitoral conquistado nas urnas pode falhar na hora de se traduzir em influência real e concreta dentro do Congresso Nacional, tanto na Câmara quanto no Senado.



