“O bosque selvagem” estreia nos cinemas e exalta o trabalho artesanal
O novo longa-metragem de animação “O bosque selvagem” estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29) como uma grande exaltação à criatividade manual em meio ao avanço da inteligência artificial no audiovisual.
Bastidores da produção artesanal
Com direção de Travis Knight, o projeto exigiu cinco anos de dedicação e envolveu mais de mil profissionais durante 231 semanas de trabalho intenso. Para dar vida à narrativa sobre uma jovem em uma floresta misteriosa que lida com temas como amor e luto, a equipe construiu 132 cenários físicos, 233 bonecos e produziu impressionantes 142 mil rostos substituíveis para as variações de expressões quadro a quadro.
O animador brasileiro Thiago Calçado, que integra a equipe do estúdio Laika e acumula passagens por obras como “Kubo e as cordas mágicas” e “Pinóquio”, de Guillermo del Toro, apontou o longa como um marco de resistência criativa.
“Eu acho que esse filme é uma bandeira do tipo pró-arte, feito pelas mãos de artistas, de humanos para humanos. Vai ser uma bandeira”, afirmou o profissional.
Crítica à tecnologia e valorização humana
Para o animador, o cuidado minucioso empregado na obra contrasta com a onda atual de produções automatizadas.
“A IA está tomando conta de uma maneira muito vazia, e esse filme vem para mostrar como é possível fazer arte, dar alma para uma história, sendo feita por artistas que estão lá se dedicando há cinco anos. Não é algo vazio, efêmero. É para apreciar, ver os detalhes, o cuidado na atuação dos personagens, cenário, iluminação, ritmo da história”, declarou Calçado.
Reforçando essa visão sobre a supremacia da sensibilidade artística, o animador concluiu:
“É uma coisa única que, por enquanto, a IA está muito longe de atingir. Eu não acho que a IA é uma ameaça depois de ver um filme como esse“, completou.
Trajetória e expectativas para o Oscar
Famosa por clássicos como “Coraline e o mundo secreto”, a produtora Laika consolida sua assinatura baseada na técnica de stop-motion, que une o artesanato tradicional a ferramentas tecnológicas modernas para simular o movimento.
Antes mesmo de sua chegada oficial às telonas do país, “O bosque selvagem” já acumulou 99% de aprovação especializada no agregador Rotten Tomatoes, credenciando o título como um forte postulante a vagas na categoria de Melhor Animação no Oscar 2027.



