29/10/2026

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Flávio Bolsonaro viaja para os EUA e publica carta golpista

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28) em um jato particular, acompanhado da esposa e das duas filhas, e divulgou horas depois um manifesto com teor golpista no qual se autodeclara líder do país. A saída do parlamentar ocorreu na véspera, após cruzar a fronteira terrestre em direção à Argentina.

De Foz do Iguaçu a Miami Antes de deixar o território brasileiro, o parlamentar passou a terça-feira em uma fazenda na região de Foz do Iguaçu, no Paraná. Por volta das 22h50, o grupo cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves em direção à província de Misiones, na Argentina, utilizando um passaporte italiano para a entrada. De Puerto Iguazú, embarcaram em uma aeronave Gulfstream G400 operada pela empresa Baires Fly.

O trajeto evitou o espaço aéreo brasileiro, passando por Paraguai, Bolívia e Peru antes de uma parada técnica para abastecimento em Guayaquil, no Equador. Na reta final, o voo sobrevoou Panamá e Cuba até pousar às 9h23 no Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka, na Flórida. Dados da plataforma FlightRadar24 indicam que a aeronave chegou a ser a mais monitorada do mundo, com cerca de 53 mil acompanhantes simultâneos. A Polícia Federal informou que não há registro migratório oficial de saída e que o senador teria utilizado um passaporte diplomático cancelado na véspera para ingressar nos EUA.

Repercussão e defesa da família A ex-vereadora Rogéria Bolsonaro utilizou as redes sociais para se manifestar sobre a viagem do filho. “Meu coração sangra (graças a Deus que é um coração forte), porque mais um filho se viu obrigado a deixar sua pátria amada por causa de perseguições injustas, descabidas e arbitrárias.” Em Brasília, o STF autorizou o ex-presidente Jair Bolsonaro a receber a visita do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

O advogado do senador, Tracy Reinaldet, declarou à CNN Brasil que havia combinado a entrega dos passaportes à Polícia Federal, mas foi surpreendido pela partida do cliente. “Em momento algum dessa reunião foi sequer cogitada a possibilidade de o senador Flávio deixar o país“, afirmou o defensor. A bancada do partido na Câmara e no Senado também saiu em defesa do parlamentar e criticou o termo foragido atribuído pela imprensa.

Cobranças da oposição e postura do Planalto Parlamentares oposicionistas acionaram a Polícia Federal para investigar eventuais redes de apoio político e financeiro que viabilizaram a saída do senador, incluindo possíveis articulações internacionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou sua equipe ministerial a evitar declarações recorrentes sobre o caso, delegando as apurações aos órgãos competentes para não alimentar o discurso de perseguição.

Carta com teor golpista No final do dia, Flávio publicou uma carta alegando fraude eleitoral sem apresentar evidências. Na primeira versão do texto, autodenominou-se o verdadeiro presidente eleito do Brasil, termo alterado minutos depois para líder do país. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, destacou em nota que o pleito ocorreu dentro da absoluta normalidade e com respeito aos ditames constitucionais.

Reações políticas ao manifesto Aliados moderados e governadores adotaram cautela diante das declarações do senador. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ponderou sobre o cenário político. “A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, pontuou. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), também pontuou a ausência de provas para corroborar a tese de fraude. “O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há provas nesse sentido”, declarou. Por fim, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro publicou o primeiro registro fotográfico ao lado do irmão em território norte-americano. “Como diria o Professor Olavo: não parar, não precipitar, não retroceder”, escreveu.