28/10/2026

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Indígenas Terena relatam racismo e ameaças após eleições no MS

O povo indígena Terena, residente no Mato Grosso do Sul, registrou uma série de ameaças, atos de intimidação e episódios de racismo no interior de suas comunidades durante o segundo turno do pleito presidencial.

Denúncias de violência política

Conforme divulgado pela APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), houve registros de indígenas que sofreram barreiras para exercer o voto em colégios eleitorais situados nas próprias reservas. Além disso, moradores foram alvos de ofensas utilizando o termo “bugres”, expressão histórica de cunho racista e pejorativo direcionada aos povos originários brasileiros.

Um dos registros em áudio divulgados no pacote de denúncias escancara a tentativa de suprimir a participação política dessas populações: “Senão nós não vamos começar a botar isso, trabalhar, mandar fechar a porteira para não sair mais para a cidade, porque índio é só no mato. E cortar luz, cortar água, porque índio também não pode ter nada disso, é só lamparina. E água no poço. E eu acho que o índio também não podia voltar”.

Cobrança por investigações

Diante do cenário, a APIB manifestou repúdio veemente às práticas e exigiu apuração rigorosa dos fatos, punição aos responsáveis e proteção imediata aos moradores das áreas afetadas. “O direito ao voto é de todos! Nenhum povo indígena pode ser ameaçado, discriminado ou silenciado por exercer seus direitos políticos”, destacou a entidade em nota oficial.

Resposta governamental

O Ministério dos Povos Indígenas, junto aos Direitos Humanos e da Cidadania e da Igualdade Racial, informou por meio de comunicado conjunto que apura os episódios de violência eleitoral que atingiram comunidades indígenas, quilombolas e de terreiro após a votação.

“É inaceitável que discordâncias políticas possam ter como resultado o uso de violência para reprimir e intimidar opiniões diferentes, colocando em risco a vida das pessoas. Vivemos em um país democrático em que as diferentes visões de mundo devem ser respeitadas e coexistir de forma pacífica e livre”, pontuou o posicionamento ministerial.

Os Terena formam um dos maiores coletivos originários do país, pertencentes à família linguística Aruak, com forte presença territorial nos estados de São Paulo e do Mato Grosso do Sul.