Vereador de Ijuí incentiva empresários a demitirem eleitores de Lula
Uma manifestação do vereador Almiro Fortes (PL), do município de Ijuí, no Rio Grande do Sul, provocou forte repercussão ao encorajar a demissão de profissionais identificados com a esquerda e eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O parlamentar gravou conteúdos para as redes sociais nos quais relata articulações com o setor empresarial para promover substituições no mercado de trabalho com base em critérios político-ideológicos.
Articulação política e propostas de boicote
De acordo com o parlamentar gaúcho, conversas com empresários da região visam impulsionar uma onda de desligamentos. Na avaliação do vereador, a medida representaria uma espécie de benefício aos profissionais afetados. “Normalmente esquerdista entende que tudo cai do céu, que o patrão é opressor. […] Eu acho que esse movimento de desligamento das empresas não é ruim; pelo contrário, eu acho que a gente tá provendo a libertação do oprimido”, declarou o parlamentar.
Além disso, o político propôs a criação de um banco de talentos exclusivo para simpatizantes de sua matiz ideológica. “Vamos trocar um esquerdista por alguém de direita. Tem muita gente de direita sem trabalho”, afirmou, acrescentando que planeja organizar um cadastro de profissionais conservadores para preencher as vagas abertas. A publicação nas redes sociais ultrapassou dezenas de milhares de curtidas e gerou debates intensos entre apoiadores e críticos, com relatos de demissões e cortes de auxílios nos comentários.
Explosão de denúncias no MPT
A controvérsia ocorre em um momento de alerta máximo para os órgãos de fiscalização trabalhista. Conforme dados oficiais, o Ministério Público do Trabalho (MPT) contabilizou um salto expressivo nas queixas relacionadas a retaliações políticas logo após o término do pleito. Foram registradas centenas de ocorrências em um intervalo de apenas dois dias, representando uma fatia expressiva do total acumulado ao longo do ano de 2026.
As autoridades reforçam que práticas como ameaças de dispensa, demissões motivadas por escolhas nas urnas e barreiras em contratações configuram assédio eleitoral, conduta estritamente proibida pela legislação brasileira. O órgão mantém o monitoramento constante sobre essas ocorrências, independentemente do fim da disputa nas urnas.
“O empresário é dono do negócio, e não do voto do seu empregado. Demitir trabalhadores por sua convicção política é ilegal e será alvo de atuação do MPT perante a Justiça do Trabalho”, declarou o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira.
O canal oficial do MPT permanece aberto para o recebimento de denúncias de forma anônima e totalmente digital, recomendando que os empregados reúnam provas materiais, como conversas de aplicativo, gravações e registros audiovisuais, para subsidiar eventuais apurações legais.



