27/10/2026

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Gadi Eisenkot: conheça o principal rival de Netanyahu nas eleições de Israel

Quem é Gadi Eisenkot e sua ascensão na política

Com um perfil reservado, pouca exposição midiática e uma trajetória relativamente recente na política israelense, o ex-chefe militar Gadi Eisenkot surge como o principal opositor ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para as eleições marcadas para o dia 27 de outubro.

Trata-se do primeiro pleito no país desde a ofensiva do Hamas ocorrida há três anos. A postura direta, a origem humilde e a rigidez em temas de segurança têm impulsionado a popularidade de Eisenkot perante o eleitorado.

Diferenças de estilo e propostas para a segurança

Embora defenda o desmantelamento da ala militar do Hamas e rejeite a criação de um Estado palestino, Eisenkot propõe um afastamento da gestão de Netanyahu e de seus aliados da ultradireta.

O estilo público austero contrasta com a postura expansiva de Netanyahu, que enfrenta julgamentos por corrupção e críticas generalizadas pelas falhas de segurança do dia 7 de outubro de 2023. Além disso, a imagem de Eisenkot carrega o peso de tragédias familiares recentes, com a perda de um filho e dois sobrinhos em combate na Faixa de Gaza.

Sobre a percepção popular do candidato, Eitan Shamir, diretor do Centro Begin-Sadat de Estudos Estratégicos da Universidade Bar-Ilan, destaca: “Ele é uma pessoa muito simpática; não tem o perfil de um político; parece alguém comum”. E acrescenta: “Ele não é excessivamente sofisticado. As pessoas sentem que conseguem se identificar com ele.”

Origens e trajetória militar

Filho de imigrantes marroquinos, Eisenkot pode se tornar o primeiro chefe de governo oriundo da comunidade Mizrahi, formada por judeus com raízes no Oriente Médio e Norte de África. Ele acumulou 41 anos de serviços prestados às Forças de Defesa de Israel (FDI), período em que liderou tropas na Cisjordânia e atuou na guerra contra o Hezbollah em 2006.

Durante o conflito libanês, ele aplicou a chamada “doutrina Dahiyeh”, estratégia militar baseada em respostas desproporcionais e na destruição de infraestruturas civis em áreas dominadas por grupos militantes.

Posicionamento sobre Gaza e o conflito atual

Após comandar o Estado-Maior entre 2015 e 2019, Eisenkot integrou o gabinete de guerra de Netanyahu como observador após os ataques de 7 de outubro, que deixaram 1.200 mortos e 251 reféns. Ele abandonou a função oito meses depois devido a divergências com a gestão do primeiro-ministro.

Em entrevista concedida ao Canal 7, ele criticou a ausência de resultados práticos sob a meta de “vitória total” estabelecida por Netanyahu: “Quero algo simples. Nós definimos — e eu votei a favor — a destruição do poder militar e governamental do Hamas”.

Em seguida, pontuou: “Decidimos alcançar esse objetivo no prazo de um ano. Já se passaram mais de três anos e isso não aconteceu”.

O político reforçou que a prioridade continua sendo aniquilar a estrutura armada do grupo extremista: “É aqui que precisamos ver como isso será feito, como a ala militar do Hamas será destruída ou desmantelada. Tudo deve culminar nisso”.

Em relação ao futuro político da região e à solução territorial, Eisenkot reiterou sua rejeição à autodeterminação palestina: “Minha posição é que, entre o rio Jordão e o mar, Israel deve deter a responsabilidade primordial pela segurança. Não pode haver nenhum exército estrangeiro entre o Mediterrâneo e o Jordão se quisermos sobreviver”.

Perspectivas eleitorais e alianças políticas

As pesquisas de intenção de voto colocam o partido Yashar, fundado por Eisenkot, à frente do Likud, legenda de Netanyahu. No entanto, o cenário político fragmentado de Israel impede qualquer previsibilidade sobre a formação do próximo governo.

Para a composição de futuras alianças, o candidato já descartou pactos com partidos árabes israelenses e planeja dialogar com outras forças sionistas. “Me empenharei para atrair mais partidos sionistas, pois Israel precisa de uma coalizão ampla, com um governo capaz de promover um consenso nacional abrangente”, declarou ao Canal 7.