Estudo aponta alta de 83% em casos de AVC entre adultos jovens nos EUA
Pesquisa recente publicada no periódico científico Neurology revelou um crescimento alarmante de 83% na taxa de incidência de AVC (Acidente Vascular Cerebral) entre adultos jovens de 20 a 54 anos nos Estados Unidos. O levantamento indica que os registros saltaram de 33,9 casos por 100 mil habitantes no biênio 1993-1994 para 62,18 em 2020, apontando que o problema afeta cada vez mais pessoas em idade produtiva.
Crescimento da incidência e queda na mortalidade O estudo intitulado “Incidência de AVC em jovens, taxas de mortalidade em 30 dias e fatores de risco ao longo do tempo em um estudo populacional” demonstra que, enquanto a incidência da condição avança entre as faixas etárias mais jovens, a letalidade em 30 dias apresenta queda simultânea. Os dados sugerem correlação direta com o crescimento tanto de fatores de risco vasculares clássicos quanto do consumo de substâncias.
O impacto social e profissional nos mais jovens O neurocirurgião e especialista em doenças cerebrovasculares Victor Hugo Espíndola pontua que a condição, historicamente associada à terceira idade, exige atenção redobrada devido à falta de prevenção nessa parcela da população.
“O grande problema é que muitos jovens não se consideram vulneráveis a doenças cerebrovasculares e acabam negligenciando os cuidados preventivos. Além disso, quando ocorre um AVC nessa faixa etária, as consequências podem comprometer décadas de vida produtiva, familiar e profissional”, destaca.
O médico acrescenta que as repercussões vão além do aspecto físico. “Outra diferença importante é o impacto funcional e social. Um AVC aos 35 anos, por exemplo, pode comprometer a capacidade de trabalhar, criar os filhos e manter a independência por muitos anos. Por isso, a investigação da causa e a reabilitação precisam ser individualizadas”, aponta.
Fatores de risco modificáveis e estilo de vida Embora nem todos os episódios estejam ligados a hábitos diários, grande parte decorre de condições que podem ser tratadas ou evitadas precocemente, como hipertensão, obesidade, diabetes, sedentarismo e alterações no colesterol.
“Os principais fatores de risco modificáveis incluem hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de álcool e uso de drogas estimulantes, especialmente cocaína e anfetaminas. Também devemos considerar fatores específicos, como uso de anticoncepcionais contendo estrogênio em mulheres com determinadas condições de risco, enxaqueca com aura, especialmente quando associada ao tabagismo, e algumas doenças cardíacas ou hematológicas”, aponta.
Outros elementos da rotina moderna, a exemplo do estresse crônico, da privação de sono e das jornadas excessivas de trabalho, também favorecem desequilíbrios metabólicos e pressóricos que elevam o risco cardiovascular.
Riscos mesmo em pessoas saudáveis Praticar exercícios e manter hábitos equilibrados reduz expressivamente a probabilidade de um derrame, mas não garante imunidade absoluta, conforme ressalta o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola.
“Existem condições que podem permanecer silenciosas, como aneurismas cerebrais, malformações vasculares, determinadas alterações cardíacas e dissecções arteriais. Por exemplo, uma pessoa jovem e fisicamente ativa pode apresentar uma dissecção da artéria carótida ou vertebral, com formação de um trombo capaz de provocar um AVC isquêmico“, aponta.
Sinais de alerta e atendimento de emergência Reconhecer os sintomas de forma rápida é fundamental para minimizar sequelas. Os indícios mais comuns englobam o surgimento repentino de fraqueza ou dormência em um lado do corpo, alteração na simetria facial, dificuldade na fala ou na compreensão, além de distúrbios visuais e perda súbita de equilíbrio. Cefaleias súbitas e de intensidade extrema também exigem socorro médico imediato por indicarem possível hemorragia intracraniana.



