Flávio e Lula discutem salário mínimo e obras em debate
O primeiro bloco do debate presidencial transmitido pela TV Globo nesta sexta-feira (23) foi marcado por intensas discussões entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a respeito de propostas para as diferentes regiões do país.
Infraestrutura e conectividade no centro do debate
O tema da infraestrutura abriu as discussões regionais. O senador Flávio Bolsonaro afirmou que há mais de “11,5 mil obras paradas”. Em resposta, o presidente Lula destacou que sua gestão anunciou “um programa de desenvolvimento que cria ferrovias, hidrovias, estradas, portos e aeroportos para que o Brasil se torne um grande produtor de alimentos”.
Para o futuro, o candidato da oposição prometeu focar em concessões e na inclusão digital. “Vou investir na concessão de rodovias. Todas as concessões vão garantir pedágio zero para motociclistas. E vou tratar a internet como infraestrutura (…), em escolas, unidades de saúde, para levar às aldeias indígenas. Quero um Brasil conectado.”
Disputa sobre salário mínimo e tarifas
Ao abordar a região Sudeste, o debate centrou-se no poder de compra e no salário mínimo. O presidente questionou o adversário sobre reajustes acima da inflação e defendeu a política econômica atual. “Se não fosse o governo do PT, ajustamos o salário acima da inflação, o salário mínimo seria R$ 900”, declarou. Lula também acusou o opositor de desdenhar da proposta de tarifa zero nos transportes públicos.
Flávio rebateu as críticas afirmando ser “super a favor” da tarifa zero nos ônibus e criticou a política fiscal vigente: “Não adianta nada o salário mínimo, se você estabeleceu uma das cargas tributárias mais altas”.
Agronegócio e relações internacionais no Centro-Oeste
No Centro-Oeste, o foco recaiu sobre o agronegócio. O senador acusou o atual governo de “tratar os trabalhadores do agro com raiva”. Em contrapartida, Lula assegurou que “nunca antes teve tantos investimentos” na área e defendeu sua postura nas negociações comerciais internacionais.
“Quando o adversário foi lamber o Trump para taxar o Brasil, eu não fiquei com medo, eu não tenho medo de cara fechada. Se o Trump não quiser comprar no Brasil, eu vou buscar outro mercado”, declarou o presidente.
Aposentadorias e saneamento básico
O Sul do país entrou em pauta com discussões sobre o reajuste de benefícios para aposentados e ações de reconstrução após enchentes. Lula questionou os planos do senador em relação aos recursos da categoria. Flávio prometeu melhorias: “Eu vou reajustar as aposentadorias acima da inflação. Lula abandonou [o estado] quando mais precisava. Vou ajudar o governador [Luciano Lorenzini] Zucco a recuperar o estado, ajudar a comprar e botar para funcionar bombas d’água para que as cidades atingidas pela chuva não sejam mais [atingidas].”
Já no Norte, o saneamento básico mobilizou os candidatos. Flávio apontou que 90 milhões de brasileiros não contam com esgoto tratado e assumiu compromissos com a região norteista: “Não responde nada, só fez para pesquisar no Google. Eu vou fazer com que o marco do saneamento alcance a meta de saneamento básico na casa dos brasileiros (…). Eu vi, em Belém, pessoas que moram onde passa o esgoto a céu aberto. Eu me comprometo a ajudar Belém.”
Em resposta, Lula afirmou que o adversário “não conhece o Brasil” e resgatou declarações e episódios passados da administração anterior. Flávio saiu em defesa do pai e alegou que as falas foram tiradas de contexto.
Nordeste: segurança e investimentos industriais
Por fim, o debate sobre o Nordeste envolveu embates sobre segurança pública e industrialização. Flávio classificou a si mesmo como um carioca “nordestino”, declarou que “o Nordeste não é problema, é solução” e questionou os índices de violência na região. “Lula, os estados do Nordeste são os mais violentos do Brasil. Por que você deixou o Comando Vermelho se ampliar junto com os governadores que são seus apoiadores?”
O presidente defendeu o legado de sua administração na área e cobrou realizações da gestão passada: “Levamos indústrias para o Nordeste, fizemos 14 hospitais (…), fizemos 40 novos institutos federais e universidades. Agora me diz o que vocês fizeram? Não fizeram nada”, disse Lula. O senador finalizou o bloco cobrando a entrega de obras hídricas: “Sabe quem concluiu a transposição do Rio São Francisco? Bolsonaro! Prometeu entregar e não entregou”.



