24/10/2026

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Debate presidencial foca em políticas públicas, SUS e dívida

O segundo bloco do confronto televisivo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado nesta sexta-feira (23), foi marcado por intensas discussões sobre políticas públicas, a situação da dívida pública e o futuro do Sistema Único de Saúde (SUS).

Disputa sobre auxílio-maternidade e programas sociais

Abrindo a rodada de temas de sua escolha, Lula questionou o parlamentar a respeito de seu voto contrário ao incremento do auxílio-maternidade no passado. Flávio argumentou que avaliava a medida como prejudicial à empregabilidade feminina, embora tenha reconhecido uma mudança de perspectiva sobre o tema posteriormente.

A réplica do atual chefe do Executivo apontou que o adversário “não votou quando poderia votar” e cobrou esclarecimentos sobre declarações anteriores em que o programa Bolsa Família foi chamado de bolsa-farelo. O senador pediu desculpas por ter chamado o oponente de “nove dedos” e desviou o foco para cobrar retratações sobre o crescimento de índices de feminicídio e da população em situação de rua.

Propostas econômicas e Banco Central

No segmento dedicado à dívida pública, o candidato do PL centrou fogo nas contas das famílias e defendeu a autonomia da autarquia monetária adotada na gestão anterior para afastar interferências partidárias. Na ocasião, o senador detalhou sua estratégia para o setor:

“Assim que passou do primeiro para o segundo turno, a taxa de juros futuro já caiu 2%, ou seja, já abriu de cara no orçamento mais de 200 bilhões de reais. Com esses recursos eu vou pagar uma parte da dívida, vou comprar a sua dívida dos bancos e refinanciar com o banco da prosperidade que vai ser a Caixa Econômica Federal”.

Em resposta, o atual presidente classificou a proposta como uma imitação de suas próprias ideias de leilão de débitos e direcionou o debate para a área da saúde.

Debate acalorado sobre o SUS

O confronto sobre o sistema público de saúde começou com questionamentos sobre declarações de aliados do senador relacionadas a investimentos na área. Na tréplica, o candidato da oposição prometeu aplicar cortes estritamente na “corrupção do governo” e acusou Lula de ter votado contra a criação do SUS durante sua atuação como deputado constituinte em 1986.

O embate encerrou-se com uma forte crítica do presidente à condução sanitária durante a crise sanitária global, resgatando declarações da gestão anterior sobre a imunização:

“O SUS é o responsável por evitar que morresse mais gente da Covid depois da irresponsabilidade do governo do pai dele. Porque no governo do pai dele, quem tomasse vacina ia virar gay, ia virar jacaré”.