23/10/2026

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Vacina contra câncer baseada em RNA mensageiro reduz risco de melanoma

Uma nova abordagem terapêutica desenvolvida pela Moderna em parceria com a Merck demonstrou resultados promissores no combate ao melanoma. A vacina experimental contra o câncer, baseada na tecnologia de RNA mensageiro, reduziu em 42% o risco de morte ou de recorrência da doença quando aplicada em conjunto com um tratamento de imunoterapia já consolidado no mercado.

Resultados do ensaio clínico avançado

Os dados completos do estudo de fase 3, que acompanhou mais de 1.100 pacientes, revelaram ainda que a estratégia combinada diminuiu em 38% o risco de disseminação do tumor pelo organismo. A pesquisa avaliou os voluntários ao longo de dois anos após a cirurgia de remoção das lesões, administrando nove doses do imunizante juntamente com o medicamento de referência.

Entre os participantes que receberam o tratamento duplo, 82,2% permaneceram livres da doença após o período de análise. Em contrapartida, o grupo que utilizou apenas a terapia isolada registrou uma taxa de sucesso de 70%.

Mecanismo de ação inovador

O tratamento inovador utiliza o intismeran autogene, um imunizante personalizado desenvolvido a partir de mutações exclusivas encontradas no tumor de cada indivíduo. A substância orienta as células do paciente a sintetizar cópias dessas alterações genéticas, facilitando a identificação e o ataque pelo sistema de defesa do organismo.

Essa tecnologia atua em sinergia com o Keytruda, um medicamento amplamente utilizado que remove os mecanismos de camuflagem empregados pelas células malignas para burlar a vigilância imunológica.

Próximos passos e expectativas

Diante do avanço, as farmacêuticas já articulam os pedidos de liberação regulatória junto às autoridades dos Estados Unidos, com expectativa de lançamento comercial para 2027. Além disso, a combinação terapêutica já está sendo testada em outros tipos tumorais, como câncer de rim, bexiga e pulmão.

Stephane Bancel, CEO da Moderna, destacou o potencial da tecnologia. “Com essa capacidade de criar novas células T específicas para o seu tumor […], o impacto clínico é muito profundo e, como vimos no ensaio de fase 2, muito duradouro”, disse Bancel em entrevista.

O executivo também pontuou que o imunizante pode vir a ser aplicado de maneira isolada no combate a tumores em estágios iniciais.

Repercussão científica e financeira

O avanço estatístico foi respaldado pela comunidade médica.
“Isso é altamente significativo do ponto de vista estatístico. Não aconteceu por acaso”, afirmou o médico Hussein Tawbi, especialista em melanoma e investigador do ensaio clínico no Centro de Câncer MD Anderson da Universidade do Texas.

Apesar do otimismo com os resultados clínicos, o cenário econômico apresentou volatilidade. O vazamento prévio dos dados em uma plataforma oncológica provocou forte oscilação nos papéis da Moderna na bolsa de valores, enquanto analistas do mercado financeiro discutem a abrangência futura da tecnologia em outras linhas oncológicas. Os dados oficiais completos foram programados para apresentação na reunião da Sociedade Europeia de Oncologia Médica, em Madri.