23/10/2026

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Ações da Meta despencam com custos de IA e multa bilionária

As ações da Meta Platforms registraram queda superior a 5% nesta quinta-feira, pressionadas pelo avanço nos custos necessários para financiar a ambiciosa expansão da companhia em inteligência artificial, apesar do rápido crescimento de seus negócios na área.

Gastos bilionários e impacto financeiro Até o fechamento da véspera, os papéis acumulavam valorização superior a 5% no ano, mas a desvalorização inicial nos negócios ameaçava apagar cerca de US$ 85 bilhões em valor de mercado da gigante tecnológica.

A controladora do Instagram reportou um fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,12 bilhões no terceiro trimestre, revertendo o cenário positivo verificado no mesmo período do ano anterior, enquanto projeta aportes anuais entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões.

Multa judicial e otimismo no mercado A reação desfavorável dos acionistas também coincidiu com a determinação de um magistrado do Novo México para que a empresa pague uma multa de US$ 5 bilhões decorrente do escândalo de privacidade de dados envolvendo a Cambridge Analytica, condenação que a Meta informou que pretende recorrer.

O balanço trimestral veio acompanhado de receitas acima do esperado, projeção de vendas otimista para o quarto trimestre e forte adesão ao novo aplicativo de agente de inteligência artificial, o Muse.

O analista Benjamin Black, do Deutsche Bank, afirmou que os investimentos da Meta em IA ‌estão gerando melhor desempenho publicitário e maior engajamento, criando uma visão cada vez mais favorável para a ação, à medida que investidores passam a enxergar a infraestrutura computacional como um ativo gerador de receita, e não apenas como ‌um centro de custos.

Reestruturação de ações e reflexos no crédito Paralelamente aos resultados financeiros, a companhia divulgou a intenção de emitir uma nova classe de ações Classe C sem direito a voto, garantindo maior flexibilidade para fusões, aquisições e pagamento de colaboradores sem retirar o poder de decisão do presidente-executivo, Mark Zuckerberg.

Apesar das incertezas em torno do volume de capital aportado no setor tecnológico, pelo menos 13 corretoras elevaram seus preços-alvo para o ativo com base no desempenho recente. No entanto, o temor dos acionistas também ecoou no mercado de crédito, onde o seguro contra inadimplência da dívida corporativa atingiu patamares recordes.