Ucrânia poderá comprar armas por agência de suprimentos da Otan
A Ucrânia terá permissão para comprar armamentos, munições e equipamentos de defesa diretamente por meio do sistema centralizado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A mudança operacional tem como meta baratear as aquisições e dar mais agilidade no envio de suprimentos essenciais às forças armadas de Kiev.
Estrutura centralizada e suporte logístico
A entrada no sistema de fornecimento da aliança militar concede ao governo ucraniano canais diretos com fornecedores estratégicos do setor bélico ocidental.
“Isso proporciona à Ucrânia a possibilidade de contar com uma estrutura mais organizada para aproveitar uma ampla gama de recursos que oferecemos: experiência em aquisições, serviços de apoio e acesso a uma base industrial consolidada”, disse Jacqueline Borsboom, diretora de apoio a operações da Agência de Apoio e Aquisições da Otan.
Relações com os Estados Unidos e entraves diplomáticos
A nova facilidade logística ocorre em um período de atrito entre a liderança ucraniana e a Casa Branca. As rusgas se aprofundaram após o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar neste mês um acordo para exportação de diesel da Rússia com o intuito de conter os preços dos combustíveis no mercado dos Estados Unidos.
Paralelamente, autoridades de Kiev vinham apontando falhas na troca de dados de inteligência e problemas operacionais na conexão do sistema de satélites Starshield. No entanto, o presidente Volodymyr Zelensky declarou que as divergências foram resolvidas durante uma reunião realizada na terça-feira (20), em Oslo.
Intensificação dos ataques aéreos no confronto
No front da guerra, a violência recrudesceu nas últimas horas com bombardeios russos em várias frentes ucranianas. Na capital do país, ataques ocorridos na manhã desta quinta-feira (22) feriram 15 pessoas, causaram bloqueios nas vias e danificaram a estrutura do metrô situada na Ponte Sul, sobre o rio Dnipro. A ofensiva sucedeu outro bombardeio noturno contra a cidade que já havia deixado seis feridos.
No nordeste, na região de Kharkiv, uma mulher morreu e quatro pessoas sofreram ferimentos em ataques atribuídos à artilharia russa, de acordo com o governador local, Oleh Syniehubov. Já em Poltava, um drone atingiu instalações de energia no município de Kremenchuk, relevante centro fabril e polo de refino de petróleo às margens do Dnipro, frequentemente alvejado pelas forças de Moscou.
Investidas contra o território russo
Os combates também geraram impactos do outro lado da fronteira. Nos arredores de Moscou, duas pessoas ficaram feridas após o envio de cerca de 630 drones contra a capital russa em uma única noite, segundo o prefeito Sergei Sobyanin, que ressaltou a interceptação remota da maior parte dos dispositivos.
Mais ao sul, na cidade siderúrgica de Lipetsk, localizada a 400 quilômetros de Moscou, aeronaves não tripuladas atingiram edifícios residenciais e uma unidade médica, deixando uma pessoa ferida, conforme comunicado do governador Igor Artamonov.



