Anvisa aprova novo tratamento para câncer de pulmão avançado
O Brasil tornou-se o segundo país globalmente a autorizar o uso do Emrelis (telisotuzumabe vedotina), um fármaco inovador voltado a doentes com câncer de pulmão em estágio avançado que não obtiveram sucesso com terapias anteriores. A liberação pela Anvisa ocorreu nesta terça-feira (20), logo após o aval regulatório nos Estados Unidos.
Perfil dos pacientes e biomarcadores
A indicação do produto atende a um grupo restrito de pessoas diagnosticadas com câncer de pulmão de células não pequenas do tipo não escamoso, o que engloba o adenocarcinoma, a variante mais frequente da enfermidade. Para receber a substância, contudo, é obrigatório que o paciente exiba concentrações elevadas da proteína c-Met no tumor.
“A identificação de biomarcadores na oncologia tem permitido avançar em direção a tratamentos cada vez mais personalizados. É uma abordagem desenvolvida para uma população específica e que pode ampliar as alternativas terapêuticas disponíveis para esses pacientes”, afirma William William, oncologista e líder nacional de oncologia torácica do Grupo Oncoclínicas.
Como funciona a terapia
O remédio integra a classe dos anticorpos associados a medicamentos (ADCs) e atua de maneira semelhante a um “cavalo de Troia”. O anticorpo localiza e se acopla à proteína c-Met na superfície da célula doentia, liberando em seguida uma carga quimioterápica altamente destrutiva por dentro da estrutura invasora, o que preserva os tecidos sadios ao redor.
Dados da fase dois do estudo clínico Luminosity apontam que cerca de um terço dos voluntários com altas taxas de c-Met experimentaram retração mensurável do tumor. O índice de resposta alcançou 34,6%, com uma sobrevida global mediana de 14,6 meses. Em contrapartida, a quimioterapia acoplada pode gerar reações adversas como fadiga profunda, falta de apetite, edema nas pernas e dormência nos membros.
Desafio do diagnóstico e oncologia de precisão
No cenário nacional, o Instituto Nacional de Câncer projeta mais de 35 mil novos episódios anuais da doença entre 2026 e 2028. O principal obstáculo no enfrentamento continua sendo a tardia descoberta do quadro, visto que aproximadamente 75% dos casos são diagnosticados quando o tumor já se encontra disseminado.
“Esta aprovação representa um avanço importante para pacientes com câncer de pulmão avançado ou metastático, pois oferece uma nova opção de tratamento para pessoas com um perfil específico de biomarcadores que já receberam terapia sistêmica. As terapias-alvo são uma parte importante da oncologia de precisão, pois são desenvolvidas para atuar sobre características moleculares definidas das células tumorais”, afirma Fernando Mos, diretor médico da AbbVie Brasil.
Disponibilidade e comercialização
Após a chancela da agência reguladora, a farmacêutica responsável iniciou os tramites junto à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos para estipular o valor teto de venda. A previsão da empresa é disponibilizar o produto no mercado privado brasileiro no decorrer do primeiro semestre de 2027, sem previsão de inclusão na rede pública até o momento.



