Piscinões, rios e barragens: o que SP planeja para enfrentar eventos extremos até 2029
O governo de São Paulo anunciou um pacote de R$ 29 bilhões em investimentos até 2029 para preparar o estado para eventos climáticos extremos, como enchentes, deslizamentos, estiagens e ondas de calor. O plano reúne 181 ações do Plano Estadual de Resiliência às Mudanças Climáticas, com participação de 50 instituições e medidas que incluem a construção de piscinões, o desassoreamento de rios e o reforço dos sistemas de monitoramento e alerta.
O anúncio foi feito em 15 de outubro, quando o estado também apresentou a operação São Paulo Sempre Alerta – El Niño 2026/2027, que substitui a tradicional Operação Chuvas. A iniciativa pretende ampliar a capacidade de antecipar riscos e coordenar a resposta do poder público diante de tempestades e outros fenômenos climáticos.
Piscinões: mais de R$ 1 bilhão previsto
Entre as principais frentes de combate às enchentes está a implantação de piscinões, reservatórios que armazenam temporariamente a água da chuva para reduzir a pressão sobre o sistema de drenagem. O pacote prevê mais de R$ 1 bilhão para essas estruturas.
Entre no grupo
Na Região Metropolitana de São Paulo, uma das intervenções destacadas é o piscinão Jaboticabal, identificado como RM-19. Com investimento de R$ 573 milhões, o reservatório deve beneficiar São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e a capital paulista, com área de influência de até 100 km². O projeto busca ampliar o controle de inundações na região do ABC e em parte da cidade de São Paulo.
Outro empreendimento em execução é o sistema integrado de seis reservatórios na bacia do Ribeirão Eusébio, em Franco da Rocha. As estruturas foram projetadas para reduzir os picos de vazão durante episódios de chuva intensa.
Na capital, o piscinão RA-01 e a canalização do córrego Antonico, na zona sul, integram as intervenções previstas para reduzir alagamentos nas regiões do Morumbi e de Paraisópolis, com benefício estimado para cerca de 1 milhão de pessoas e investimento de R$ 150,5 milhões.
O pacote também prevê R$ 1,7 bilhão para o desassoreamento de rios e córregos, por meio de programas como o Integra Tietê e o Rios Vivos. O procedimento consiste na retirada de sedimentos acumulados no leito dos cursos d’água, com o objetivo de recuperar condições de escoamento e contribuir para reduzir riscos de enchentes.
Na área de segurança hídrica, o governo inclui as barragens de Pedreira e Duas Pontes, no interior paulista, com investimentos de aproximadamente R$ 1,7 bilhão anunciados no pacote de outubro. As estruturas ficam nos rios Jaguari e Camanducaia e fazem parte das iniciativas para ampliar a disponibilidade de água na região de Campinas, além de contribuir para o controle de cheias.
Juntas, as barragens terão capacidade para armazenar 85 bilhões de litros de água, sendo 32 bilhões em Pedreira e 53 bilhões em Duas Pontes. A estimativa estadual é que os empreendimentos beneficiem cerca de 5,5 milhões de pessoas.
Eventos extremos em SP: quais cidades serão atendidas pelas obras?
As intervenções citadas pelo governo contemplam diferentes regiões do estado. Entre os municípios divulgados estão:
– São Paulo, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul: área de influência do piscinão Jaboticabal, que deve ampliar o controle de inundações na Região Metropolitana;
– Franco da Rocha: obras do sistema de seis reservatórios na bacia do Ribeirão Eusébio;
– São Paulo, nas regiões do Morumbi e de Paraisópolis: piscinão RA-01 e canalização do córrego Antonico;
– Região de Campinas: barragens de Pedreira e Duas Pontes, voltadas à segurança hídrica e ao controle de cheias;
– Outros municípios: programa Rios Vivos, que já havia alcançado 170 cidades desde 2023.
Operação El Niño prevê alertas e monitoramento diário
Além das obras, o pacote inclui medidas de prevenção e resposta a desastres. A operação São Paulo Sempre Alerta – El Niño 2026/2027 prevê boletins meteorológicos diários, novos níveis de alerta para os municípios e a criação de um gabinete especial para coordenar a atuação dos órgãos estaduais. A proposta é antecipar situações de risco e facilitar a organização das equipes de emergência.
O plano também prevê o uso de avisos pelo celular, incluindo mensagens SMS para usuários cadastrados no serviço da Defesa Civil pelo número 40199. A operação foi apresentada para o período de outubro de 2026 ao fim de 2027, enquanto o conjunto mais amplo de investimentos tem horizonte até 2029.
As ações consideram riscos associados a chuvas intensas, deslizamentos, estiagens e ondas de calor. O El Niño pode alterar os padrões de precipitação e temperatura, mas seus efeitos variam de acordo com a região e a interação com outros sistemas atmosféricos. A preparação, por isso, envolve tanto a infraestrutura quanto a capacidade de monitorar e comunicar riscos à população.



