20/10/2026

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Lula critica reação empresarial ao fim da escala 6×1 e cita histórico de resistência a direitos trabalhistas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a redução da jornada de trabalho e criticou a postura de parte do setor empresarial em relação ao fim da escala 6×1. Durante entrevista, o chefe do Executivo argumentou que o modelo atual, que prevê seis dias de atividade para apenas um de descanso, traz prejuízos severos para o bem-estar físico e mental dos cidadãos, com impacto ainda mais intenso sobre as mulheres, que frequentemente utilizam a única folga para acumular tarefas domésticas.

Histórico de resistência patronal

O presidente comparou a atual polêmica com as críticas enfrentadas por outras conquistas históricas da classe trabalhadora ao longo dos anos, citando momentos como a criação do salário mínimo e a implantação do 13º salário.

“Toda vez que surge um benefício para o povo, aparece a representação do empresariado chiando”, declarou o presidente ao abordar as reclamações sobre os impactos financeiros da mudança nas regras contratuais.

O mandatário também relembrou os debates ocorridos durante a Constituinte de 1946 acerca do período de férias, período em que havia o argumento contrário sob a justificativa de que o descanso prolongado poderia incentivar o ócio e o consumo de bebidas alcoólicas entre os empregados.

Negociação setorial e transporte gratuito

Ao detalhar como a transição deve ocorrer, o líder do Executivo pontuou que o processo precisará respeitar as particularidades de cada categoria profissional, contrastando rotinas de hospitais com o ritmo de indústrias e fábricas.

“Não se trata de uma imposição cega: vai-se negociar o que for necessário para assegurar os direitos dos trabalhadores e, ao mesmo tempo, garantir a sustentabilidade das empresas”, afirmou.

Como complemento às discussões sobre o tempo livre, o governo planeja enviar ao Congresso Nacional uma proposta voltada à gratuidade no transporte coletivo urbano durante os sábados e domingos, visando facilitar o deslocamento para parques e visitas familiares.

“Não adianta apenas garantir dois dias de folga se o cidadão não tiver condições financeiras para pegar um ônibus e levar a família para visitar um parque ou um parente”, declarou.

A proposta de gratuidade nos ônibus municipais precisará passar pelo crivo dos parlamentares, onde o governo demonstra otimismo quanto à aprovação e à viabilidade orçamentária para custear a medida em âmbito nacional.