Lula defende pacote de bondades e nega risco fiscal para o próximo governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu as críticas de que as medidas econômicas e sociais anunciadas pelo governo durante o período eleitoral representem uma ameaça às contas públicas do próximo ano.
Impacto bilionário das medidas
Levantamento calcula que as medidas do governo federal lançadas entre 1º de janeiro e 13 de outubro de 2026 somam um impacto de R$ 248,7 bilhões. O maior volume de recursos está concentrado no programa Reforma Casa Brasil, com R$ 40 bilhões. A lista também inclui a desoneração do diesel (R$ 30 bilhões), o programa Move Aplicativos (R$ 30 bilhões), a isenção do Imposto de Renda (R$ 28 bilhões) e diferentes fases do programa Desenrola (R$ 23,2 bilhões na versão 2.0 e R$ 15 bilhões na 3.0).
Justificativa para a reta final
Questionado sobre o motivo de concentrar ações como o reajuste do Bolsa Família e o perdão de dívidas na reta final da campanha, Lula justificou que as decisões foram tomadas assim que houve viabilidade nos cofres públicos. “A partir do momento em que você descobre que tem espaço fiscal no orçamento, você pode repor a inflação”, afirmou o presidente. Ele negou que a motivação seja eleitoreira: “Não vou deixar de conceder um benefício concreto para o trabalhador apenas porque estamos em período eleitoral.”
Entre as ações recentes, destaca-se o perdão de dívidas de quase 4 milhões de MEIs (Microempreendedores Individuais), medida que, deve ter impacto de R$ 12,6 bilhões. O governo também aprovou a elevação do teto de faturamento do MEI e autorizou a contratação de até dois funcionários por esses empreendedores.
Renegociação e regras fiscais
Lula anunciou ainda a formatação de uma nova etapa para o programa de renegociação de dívidas. O modelo prevê que o governo compre das instituições financeiras uma carteira de inadimplência de cerca de R$ 300 bilhões, com deságio estimado entre 92% e 95%. Após a liquidação, o plano estabelece o pagamento de um auxílio de R$ 5.000, via transferência direta (Pix), para que o cidadão retome sua atividade produtiva.
O petista rebateu a acusação de que o volume de R$ 248,7 bilhões em gastos e desonerações criaria uma “bomba-relógio”. O presidente citou na entrevista uma redução do déficit público, herdado em 2,8% do PIB, e o envio de uma proposta orçamentária com previsão de superávit primário de 0,1%. “Tudo o que está sendo aprovado cabe perfeitamente dentro da capacidade orçamentária e dos limites fiscais do país”, declarou Lula.
O presidente encerrou com críticas ao mercado financeiro e reafirmou seu compromisso com as contas públicas. “Não preciso receber lições de responsabilidade fiscal da Faria Lima. Minha responsabilidade nasce da vivência como pai de família e operário de fábrica: ninguém gasta o que não arrecada”, disse Lula.



