20/10/2026

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Lula nega subestimar Flávio Bolsonaro e mira virada eleitoral

Em preparação para a reta final da disputa pelo Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rejeitou a avaliação de que teria desconsiderado a capacidade de articulação de Flávio Bolsonaro (PL). O candidato à reeleição apontou que a expansão do campo conservador é um fenômeno visível no Brasil e no exterior, mas demonstrou otimismo quanto a uma vitória no segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.

O avanço conservador e a mobilização popular

Ao comentar o cenário eleitoral e o estreitamento das margens apontado por pesquisas, o petista rebateu a ideia de que teria menosprezado as forças que sustentam a candidatura rival. Lula ressaltou que o bolsonarismo permanece como um movimento expressivo na política brasileira e enfatizou a dimensão internacional dessa corrente ideológica.

“Ninguém subestima a capacidade da direita neste país e no mundo inteiro, até porque ela tem crescido de forma muito expressiva em quase todos os países do mundo”, declarou.

Para o presidente, o engajamento direto dos militantes nas ruas terá papel decisivo no resultado definitivo. Como exemplo de força popular, ele destacou o registro de quase 1,7 mil atos públicos, divididos entre carreatas e caminhadas em diversas cidades brasileiras no fim de semana anterior, muitos deles articulados de maneira espontânea pelos próprios eleitores.

Expectativa de primeiro turno e mudança de postura

Lula admitiu que o volume de entregas e programas sociais executados pelo governo federal gerou a expectativa inicial de liquidar a fatura ainda na primeira etapa do pleito. Contudo, garantiu estar confiante na continuidade do projeto após o confronto direto de outubro.

“Confesso para você que cheguei a achar que poderíamos vencer a eleição já no primeiro turno, tal era a dimensão das entregas e realizações que fizemos no governo”, afirmou.

O petista também traçou um paralelo entre a disputa atual e a corrida presidencial de 2002, quando disputou o segundo turno contra José Serra. Naquela época, o adiamento da vitória gerou sentimentos de frustração, postura que ele afirma ter superado no momento atual.

“Desta vez é diferente; estou muito mais sereno, porque eleição em dois turnos funciona assim mesmo”, disse.

Foco estratégico em Minas Gerais e São Paulo

Diante das perdas registradas em colégios eleitorais onde esperava índices melhores de votação, a coordenação de campanha do petista recalibrou os esforços regionais. A meta prioritária consiste em intensificar a presença no Sul e no Sudeste, enquanto conta com o suporte de governadores aliados para manter a liderança consolidada no Nordeste.

A virada projetada pela campanha passa diretamente pelo desempenho nos dois maiores colégios eleitorais do país.

“Nós temos plenas condições de vencer em Minas Gerais, diminuir a desvantagem em São Paulo e, acontecendo isso, venceremos a eleição como vencemos as anteriores”, declarou.

Com a estratégia voltada para a presença nas ruas e a união de lideranças estaduais, a decisão sobre o futuro do comando do Executivo federal será selada pelas urnas no dia 25 de outubro, em disputa direta entre Lula e Flávio Bolsonaro.