A estratégia de alianças de Flávio Bolsonaro na reta final
Expansão do palanque na reta final
Na contagem regressiva para o pleito, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) intensificou a busca por novos apoios para ampliar sua base, que começou o segundo turno com 47,03% dos votos válidos. O objetivo principal do candidato agora é transformar as adesões políticas obtidas nas últimas semanas em votos efetivos nas urnas, diante de um cenário de disputa que se tornou mais competitivo.
Novos partidos e divisões internas
O campo de alianças cresceu com a entrada formal de siglas como Podemos, Republicanos, Novo e a Federação União Progressista (União Brasil e PP), que haviam adotado a neutralidade no primeiro turno. Contudo, o apoio não é unânime.
O Republicanos, ao oficializar a adesão, impôs limites claros. O presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, declarou que o apoio não significa carta branca a um eventual governo Flávio. “Não é um cheque em branco”
O MDB também vive um cenário de divisão. Embora o presidente nacional, Baleia Rossi, tenha anunciado que 17 diretórios estaduais apoiam Flávio, outros dez optaram pelo candidato petista, refletindo um racha geográfico: enquanto o Sul, Sudeste e Centro-Oeste tendem ao PL, parte considerável do Nordeste mantém o apoio a Lula.
Liberdade de escolha no PSD e PSDB
Partidos como PSD e PSDB não fecharam apoio oficial, optando pela liberação de seus diretórios. No caso do PSD, lideranças como o governador Ronaldo Caiado decidiram integrar a campanha de Flávio, mesmo com a neutralidade imposta pela direção nacional. O mesmo ocorre no ninho tucano, onde, segundo Aécio Neves, as decisões estão pulverizadas entre a neutralidade e o engajamento com o candidato do PL.
O papel dos governadores e a estratégia de mobilização
Os governadores tornaram-se os principais cabos eleitorais desta fase. Atualmente, a campanha contabiliza o apoio de 12 governadores, além de uma vasta rede composta por 29 senadores, 149 deputados federais e centenas de prefeitos. O governador Tarcísio de Freitas tem atuado como um articulador informal chave, sendo peça fundamental nas negociações com o MDB e o Republicanos.
Para manter o engajamento, a estratégia foca em grandes atos regionais. No Sul, motociatas e mobilizações foram lideradas por nomes como Jorginho Mello e Sergio Moro. Já em São Paulo, a Avenida Paulista foi palco de atos estratégicos, enquanto no Nordeste, o deputado Nikolas Ferreira foi escalado para tentar reduzir a vantagem do adversário na região.
O desafio em Minas Gerais
Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, é visto como um termômetro decisivo. A campanha aposta na força de lideranças locais, como o governador eleito Cleitinho, para consolidar a vantagem no estado. Apesar das adesões, integrantes da base aliada demonstram preocupação com a dinâmica da campanha, temendo que o otimismo gerado pelo resultado do primeiro turno possa impactar a mobilização necessária para a vitória final.



