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Clima

Santa Catarina acelera obras de prevenção contra impactos do El Niño 2026

Iniciativa privada financia projetos urgentes para liberar milhões em verbas federais e proteger cidades catarinenses de enchentes severas.

Tornados e enchentes: SC corre para fazer obras contra efeitos do El Niño

Diante da ameaça de eventos climáticos extremos agravados pelo El Niño 2026, que começou em junho e já desponta como um dos mais severos das últimas décadas, Santa Catarina registra uma mobilização intensa para viabilizar infraestruturas de proteção contra inundações. Recentemente, passagens de tornados no estado deixaram dezenas de feridos e dezenas de milhares de afetados, reforçando a urgência de intervenções estruturais.

Como a iniciativa privada age contra tragédias climáticas Para evitar novos desastres, o setor empresarial iniciou uma corrida contra o tempo. O Instituto +BC, mantido por mais de 20 empresas, aplicou R$ 400 mil para atualizar em apenas dois meses o projeto do Parque Inundável do Rio Camboriú. A obra vai atender mais de 275 mil moradores nos municípios de Camboriú e Balneário Camboriú, localizados no litoral catarinense.

Com a documentação técnica em dia, a Prefeitura de Balneário Camboriú conseguiu encaminhar os papéis necessários para garantir o acesso a R$ 73 milhões em verbas do Novo PAC, programa federal voltado para a modernização da infraestrutura regional em parceria com prefeituras, setor privado e ONGs.

Detalhes da estrutura contra enchentes O planejamento prevê a construção de uma barragem com cerca de 1,6 quilômetro de extensão e até 7,6 metros de altura, criando um reservatório capaz de reter entre 2 e 3 bilhões de litros de água. O sistema servirá para controlar a vazão do Rio Camboriú tanto em períodos de estiagem severa quanto nos momentos de temporais intensos. Além da função principal de segurança hídrica e mitigação de cheias, o entorno do parque contará com áreas ambientais recuperadas, ciclovias e espaços públicos de lazer.

Para Marcos Gracher, presidente do Instituto +BC, o investimento em planejamento é fundamental para que projetos dessa dimensão possam avançar. “Tínhamos apenas 60 dias para atualizar os estudos e não poderíamos perder a oportunidade de buscar recursos federais por falta de documentação técnica. O Instituto assumiu esse custo porque entendemos que obras estruturantes precisam de projetos bem elaborados e condições para que o poder público possa executá-los”, afirma.

O grupo empresarial atua em pautas ambientais desde 2017 e já forneceu embasamento técnico para intervenções conhecidas, como o alargamento da faixa de areia na Praia Central de Balneário Camboriú.

“A falta de projetos técnicos bem feitos é hoje o principal gargalo das prefeituras para buscar recursos e tirar obras importantes do papel. Foi para contribuir nesse sentido que o Instituto foi criado. No caso do Parque Inundável, estamos falando de uma intervenção que poderá proteger a população das enchentes e garantir maior segurança no abastecimento de água nas próximas décadas”, destaca Gracher.

Vulnerabilidade em território catarinense Dados de uma nota técnica da Cemaden mostram que o cenário de risco é generalizado no território catarinense. Do total de 295 municípios do estado, 218 estão catalogados como altamente vulneráveis a enxurradas e inundações, o que representa quase 80% do mapa estadual. O estudo serve de base para orientar as prioridades de repasse de recursos da União destinados à gestão de desastres.

A instabilidade climática já provocou danos materiais e humanos expressivos na última semana, incluindo a confirmação de tornados em localidades como Chapecó e Xanxerê. Balanços oficiais da Defesa Civil apontam que cerca de 50 mil pessoas sofreram impactos diretos das tempestades, com dezenas de feridos registrados em meio às ocorrências meteorológicas.