Pl debate nesta terça apoio a Hugo Motta na Câmara dos Deputados
Sigla avalia se fecha aliança estratégica ou se arrisca isolamento na disputa pela presidência da mesa diretora

O Partido Liberal realiza uma reunião com seus congressistas nesta terça-feira (3), às 18h, com o objetivo de definir se apoiará a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara dos Deputados. Com 121 deputados a partir de 2027, a legenda ostentará a maior bancada da Casa, mas avalia que corre o risco de perder espaço e ficar sem o comando de comissões estratégicas caso decida ficar fora do bloco do atual presidente.
Divisão interna entre pragmatismo e resistência A discussão gera divergências profundas dentro da sigla. O grupo alinhado ao presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, aposta no pragmatismo e defende a construção de um acordo com Hugo Motta. Para essa ala, a posse da maior bancada perde efeito prático se a agremiação acabar isolada na hora da divisão de cargos e comissões.
Em contrapartida, os parlamentares mais radicais rejeitam a aproximação. O motivo da resistência é a proximidade de Hugo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aliado que manteve o apoio do deputado ao longo de todo o processo eleitoral.
Candidatura avulsa e o peso do regimento interno O deputado Zé Trovão (PL-SC) afirmou na segunda-feira (2) que se o PL decidir não lançar um candidato próprio, iria apresentar um pedido de registro de candidatura avulsa. Até o momento, a posição é individual e não representa a cúpula da legenda.
O fator decisivo para a ala pragmática reside nas regras regimentais da Casa. Pelo sistema da Câmara, a prioridade na escolha das comissões obedece à proporcionalidade dos blocos formados no dia da posse. Estando fora do bloco principal, o partido despencaria da 1ª e 2ª escolha para a 14ª posição, o que colocaria em risco o comando de colegiados fundamentais, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), pretendida pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Alianças e o fator PT As tratativas, contudo, dependem de articulações externas. Hugo Motta já assegurou o apoio de 15 partidos e construiu uma maioria confortável rumo à reeleição em fevereiro de 2027. O bloco conta com a presença do PT, que já formalizou apoio e ameaça deixar a aliança caso o PL seja integrado. O presidente da Câmara sinalizou que pretende ouvir as demandas oposicionistas, embora mantenha a prioridade para os petistas.
Estratégia estendida para o Senado federal Paralelamente, a movimentação do PL alcança o Senado. Detentora da maior bancada com 28 senadores para 2027, a sigla projeta lançar um nome próprio para a chefia da Casa.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fugiu para os Estados Unidos, anunciou que indicará o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), para disputar a presidência com o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), que busca a reeleição.
Enquanto Alcolumbre afirma contar com pelo menos 48 votos — superando os 41 necessários para a vitória —, a oposição questiona esses números. O desfecho dessa disputa impactará diretamente o andamento de pautas sensíveis voltadas ao enfraquecimento do Supremo Tribunal Federal (STF), cujo avanço dependerá fundamentalmente da disposição do futuro comando do Senado em pautar e articular tais propostas.



