Ueno Bank sofre intervenção no Paraguai e congela fundos
Queda drástica na solvência da instituição financeira atinge cerca de 3 milhões de correntistas em todo o território nacional.

O Banco Central do Paraguai decretou a intervenção e a suspensão imediata das atividades do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras do país, após constatar que o índice de solvência desabou para menos da metade do patamar mínimo exigido pela legislação vigente. A medida drástica resultou no congelamento de contas e na paralisação de serviços digitais para aproximadamente 3 milhões de clientes, montante que equivale a 60% da população adulta paraguaia.
Impacto nos serviços e o anúncio oficial
Com a decisão aprovada por unanimidade pela diretoria do órgão regulador na madrugada de terça-feira (3), correntistas enfrentam barreiras severas para movimentar valores por meio de caixas eletrônicos e plataformas digitais.
“Determinamos o fechamento da instituição. Portanto, a partir de hoje, nem o aplicativo, nem os cartões, nem qualquer outro serviço do banco estão funcionando”, confirmou Liana Caballero, integrante da diretoria do Banco Central do Paraguai, durante entrevista coletiva.
Gestão de recursos públicos e o processo de resolução
O banco administrava mais de US$ 800 milhões em fundos estatais, o que representa cerca de R$ 4,4 bilhões. Desse montante, US$ 380 milhões — o equivalente a R$ 2,1 bilhões — foram aplicados pelo Instituto de Previdência Social do Paraguai, entidade encarregada do sistema público de aposentadorias.
Diante da crise, a autarquia iniciou o processo de resolução bancária, que estabelece o travamento total de ativos e passivos. A medida permanece em vigor até que o destino dos capitais seja definido e as obrigações financeiras possam ser calculadas.
O presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo, declarou que “a instituição informará os mecanismos para que os depositantes cobertos pela garantia possam recuperar seus recursos”.
Garantias para correntistas e limite de ressarcimento
O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai protege quantias até o teto de 228 milhões de guaranis por indivíduo, o que corresponde a aproximadamente R$ 211 mil ou 75 salários mínimos. Quem possui montantes superiores a esse limite terá de aguardar a finalização do balanço contábil conduzido pela Superintendência de Bancos.
Apesar da gravidade da situação, Carvallo classificou o episódio como “um caso pontual e isolado” e garantiu que o sistema financeiro nacional permanece sólido e saudável.
Motivos da intervenção e investigações em curso
A apuração conduzida ao longo de vários meses revelou a liberação de empréstimos direcionados a empresas ligadas ao grupo controlador do banco. Como consequência, funcionários do Banco Central foram designados para assumir o comando operacional da instituição e aplicar penalidades aos responsáveis.
A recuperação integral dos valores excedentes ao teto de garantia ainda não está assegurada. Caballero explicou que será necessário avaliar a situação financeira da instituição antes de determinar a possibilidade de pagamento dos valores excedentes.
“Precisamos fazer um balanço dos ativos e passivos para avaliar até que ponto será possível cobrir os valores que ultrapassam 75 salários mínimos”, afirmou a integrante da diretoria do Banco Central.
Para mitigar os danos, o comando do órgão regulador garantiu empenho máximo na celeridade dos procedimentos, direcionando o foco principal para os correntistas de menor porte.
“O Banco Central do Paraguai mobilizará todos os seus recursos para que o processo seja o mais rápido possível, e a prioridade serão sempre os pequenos poupadores”, afirmou o presidente.


