Homem pega mais de 83 anos de prisão por jogar filho de ponte no RS
Tribunal do Júri fixou pena em regime fechado e determinou indenização de R$ 100 mil à família da vítima, morta por vingança contra a mãe

O Tribunal do Júri condenou Tiago Ricardo Felber a uma pena de 83 anos e 4 meses de reclusão pelo assassinato do próprio filho, Théo, arremessado de uma ponte localizada em São Gabriel, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. O veredito, anunciado nesta quarta-feira (4), estabeleceu cumprimento em regime inicial fechado com execução imediata da pena, além do pagamento de ao menos R$ 100 mil em indenização aos parentes do menino.
Sessão do júri e tipificação dos crimes
O réu acabou responsabilizado pelos crimes de homicídio qualificado consumado, tentativa de homicídio qualificado e ameaça. A acusação apontou que o ato violento foi planejado como forma de retaliação para atingir psicologicamente a ex-companheira, mãe da criança.
Os trabalhos em plenário se estenderam por mais de 13 horas. Ao longo da audiência, foram colhidos os depoimentos de oito pessoas — incluindo a mãe de Théo, uma testemunha indicada pela defesa, duas apontadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul e três pela assistência de acusação —, além do interrogatório do acusado, antes da deliberação final dos jurados.
A tese acusatória esteve a cargo das promotoras Graziela Lorenzoni e Maria Fernanda Rabelo Ramalho.
“A condenação representa uma resposta firme da Justiça diante da gravidade da violência praticada contra uma criança e, sobretudo, um reconhecimento da importância da vida de Théo e da dor de sua família”, afirmou Maria Fernanda.
“Foi uma condenação importante pelo fato de que a morte de Théo foi um dos casos que motivaram a criação do crime de vicaricídio no Brasil”, ressaltou Graziela.
Como aconteceu o crime
A vítima residia com a mãe no município de Nova Hartz e havia sido levada pelo genitor em 22 de março, sob a alegação de comemorar o aniversário de 40 anos dele. Três dias depois, em 25 de março, as autoridades policiais localizaram o corpo do garoto.
Logo após atirar a criança de uma estrutura com aproximadamente 15 metros de altura, o condenado gravou e enviou uma mensagem de áudio para a mãe do garoto: “Aguenta o coração para o resto da vida, atirei o Théo “debaixo” da ponte agora”, disse ele.
Estrangulamento e laudo pericial
Durante os interrogatórios, Felber admitiu que já havia tentado estrangular o filho na véspera da tragédia. Os exames periciais confirmaram que o menino foi jogado ainda com vida e atestaram que o óbito ocorreu em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado pelo impacto da queda.


