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Mundo

Falsas ameaças de bomba causam caos em aeroportos da Europa

Várias nações enfrentam alertas falsos direcionados a voos e canais de imprensa, gerando investigações sobre possíveis ataques híbridos.

O que se sabe sobre a onda de falsas ameaças de bomba na Europa

Uma onda recente de alertas falsos de bomba provocou o desvio de dezenas de voos e a evacuação de redações jornalísticas em diversos países da Europa, mobilizando forças de segurança em busca dos responsáveis.

Alvos de aeroportos a redes de imprensa

Os primeiros alvos identificados foram terminais aéreos e companhias de aviação na Dinamarca e na República Tcheca, onde o tráfego aéreo sofreu interferências diretas. Na Hungria, caças militares precisaram interceptar e escoltar três aeronaves após a emissão de alertas.

Além disso, a imprensa europeia também entrou na mira dos criminosos, com destaque para a emissora pública irlandesa RTÉ, cujos funcionários deixaram o prédio às pressas. Um e-mail ameaçador recebido pelo canal detalhava a suposta colocação de explosivos.

“Queremos que o mundo inteiro saiba quem somos; por isso, um de nossos agentes colocou um artefato explosivo em seu prédio”, dizia o e-mail, segundo a agência PA Media. “Ele explodirá em 45 minutos; o tempo está corrido.”

Origem e métodos das mensagens

Embora a apuração aponte o uso de e-mails anônimos enviados a autoridades tchecas, italianas e dinamarquesas, a autoria exata permanece sob investigação rigorosa. Na Itália, uma mensagem atribuída a um grupo antifeminista russo chamado “The Male State” (“O Estado Masculino”) foi direcionada a uma empresa de logística no Aeroporto de Roma-Fiumicino.

Especialistas em segurança aeronáutica destacam que os protocolos de emergência são acionados de imediato diante de qualquer indício de perigo. O ex-diretor de segurança federal Keith Jeffries explicou que todos os aeroportos “possuem planos de gestão para ameaças de bomba e realizam treinamentos baseados nesses planos”.

Suspeitas de guerra híbrida e sabotagem

Governos e analistas internacionais investigam se os incidentes fazem parte de uma campanha coordenada de desestabilização atribuída a atores estatais russos, embora nenhuma evidência definitiva tenha sido confirmada pela União Europeia.

“Desde ferrovias até a infraestrutura alimentar — como vimos ocorrer com a invasão de sistemas de refrigeração — e diversos outros tipos de operações, tudo isso se encaixa na narrativa de atores estatais russos que buscam desestabilizar a Europa”, afirmou Schouten, segundo a agência Reuters.

Por sua vez, autoridades de países como Espanha e Reino Unido ponderam sobre a possibilidade de se tratar de trotes maliciosos e táticas de guerra psicológica destinadas a testar a prontidão das defesas europeias.

Consequências para o transporte e a economia

Apesar do transtorno generalizado e do redirecionamento de aeronaves para países como França e Bulgária, nenhuma das inspeções realizadas encontrou artefatos explosivos reais a bordo ou nas instalações terrestres.

Ainda assim, especialistas em cibersegurança e aviação alertam que o objetivo secundário dessas ações pode ser mapear o tempo de resposta das autoridades e gerar custos financeiros expressivos.

“Essas ameaças à aviação ocorrem, inclusive, no mesmo período em que são registrados ataques cibernéticos a sistemas de refrigeração de supermercados por toda a Europa”, afirmou à Reuters Eliran Almog, CEO da Cyviation, empresa especializada em cibersegurança na aviação.