Força Aérea dos EUA aposenta únicos aviões brasileiros da frota
Aeronaves da Embraer, que operavam na Base de Edwards, serão mantidas em armazenamento técnico sob contrato com a Sierra Nevada Corporation.

A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) encerrou as operações dos três exemplares do A-29 Super Tucano, os únicos aviões de fabricação brasileira a integrar a frota militar norte-americana. As aeronaves, produzidas pela Embraer, estavam alocadas na Base Aérea de Edwards, na Califórnia, e agora seguirão para um regime de armazenamento prolongado.
O papel dos turboélices na formação militar
Durante o período em que estiveram ativos, os Super Tucanos foram utilizados pela Escola de Pilotos de Testes da USAF. O objetivo central era permitir que os futuros pilotos tivessem contato direto com características de voo distintas daquelas encontradas nas aeronaves convencionais que já operavam, ampliando assim a experiência técnica dos aviadores.
Detalhes do contrato de armazenamento
A Sierra Nevada Corporation (SNC), parceira da Embraer na fabricação do modelo em território americano, foi a empresa escolhida para gerenciar o estado das aeronaves. Segundo documentos oficiais, o acordo visa garantir que os equipamentos permaneçam preservados, sem a intenção de retorno às atividades aéreas. O texto é taxativo ao descrever a situação: “são três aviões selados A-29 Super Tucano, atualmente estocados em Edwards e que não devem retornar ao voo ou ser usados pela Força Aérea”.
O contrato prevê serviços essenciais para evitar a degradação, como a prevenção de vazamentos de fluidos e a troca de pneus. O Pentágono reforçou o caráter definitivo da medida, destacando que “nada nestes termos deve ser interpretado como requerimento para trazer as aeronaves para condição de voo, restauração ou certificação de voo”.
Histórico e homenagem na USAF
Originalmente, os turboélices foram adquiridos pelo Pentágono para avaliar aeronaves de apoio leve às forças especiais. Após a conclusão do processo, o contrato para essa função foi vencido pela L3 Harris, com o modelo Air Tractor AT-802. Com os Super Tucanos já em posse dos Estados Unidos, a Escola de Pilotos de Testes solicitou a transferência dos aparelhos, que operavam desde o ano passado.
Um dos aviões chegou a receber uma pintura especial em alusão a um esquadrão de P-51 Mustang da Segunda Guerra Mundial, em um gesto simbólico que remete ao período em que Brasil e Estados Unidos lutaram juntos contra o nazifascismo. Até o momento, as autoridades americanas não detalharam os motivos para manter as aeronaves em Edwards em vez de enviá-las ao “cemitério de aviões” no Arizona ou colocá-las à venda.


