Gadi Eisenkot inicia missão para formar novo governo em Israel
Ex-chefe das Forças Armadas recebe convite presidencial após pleito sem maioria clara e busca alternativas no parlamento

O ex-chefe das Forças Armadas de Israel, Gadi Eisenkot, recebeu a incumbência de tentar formar uma nova administração nacional. A convocação oficial ocorreu neste sábado (7) por meio de um porta-voz do presidente Isaac Herzog, após as eleições do mês passado terminarem sem uma maioria absoluta capaz de afastar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Cenário de governo minoritário
Como sua coligação não detém a maioria das cadeiras no parlamento, o ex-militar enfrenta um trajeto complexo. Uma das alternativas envolve a criação de uma gestão minoritária reunindo seu partido Yashar — Juntos, Os Democratas e Israel Nossa Casa, contando com o suporte externo das legendas árabes Ra’am e Lista Conjunta.
Com essa composição, o grupo somaria 67 dos 120 assentos da KNESSET, o que garantiria resistência contra moções de censura. No entanto, a estratégia exigiria que Eisenkot voltasse atrás em sua promessa de campanha de não incluir siglas árabes na administração, além de superar a forte resistência pública existente desde o atentado do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Enquanto o partido de centro-esquerda Democratas demonstrou abertura para essa inclusão, a legenda de direita Israel Nossa Casa, comandada por Avigdor Lieberman, rejeitou repetidamente alianças minoritárias com partidos árabes. Vale lembrar que o Ra’am integrou a gestão de Naftali Bennett em 2021, mas a coalizão colapsou após 18 meses devido a divergências sobre a Cisjordânia.
Possibilidade de aliança ultraortodoxa
Outro caminho viável seria um pacto com as duas legendas ultraortodoxas israelenses, detentoras de 13 cadeiras, o que elevaria a base do ex-general para 61 assentos. Contudo, essa opção exige um entendimento espinhoso sobre as isenções do serviço militar obrigatório concedidas aos seminaristas, um tema que gera profundos protestos entre a população que serve às forças armadas.
Embora Eisenkot e aliados tenham criticado fortemente essas dispensas no passado, Lieberman sinalizou flexibilidade em um comunicado divulgado na sexta-feira (6), destacando aos seus apoiadores: “Não se pode ter tudo”. Dos partidos religiosos, o Shas apoiou Netanyahu no pleito, enquanto o Judaísmo Unido da Torá optou por não respaldar nenhum nome.
Hipótese de governo unificado e próximos passos
Uma terceira via seria a união entre o bloco de Eisenkot e o Likud, de Netanyahu, formando uma ampla coalizão com 67 assentos. Apesar de viabilizar a maioria, a medida é considerada improvável no momento, pois exigiria que os parceiros de Eisenkot abandonassem o compromisso central de afastar o atual premiê e forçaria Netanyahu a romper com seus aliados tradicionais da ultradireita.
Caso Eisenkot não obtenha sucesso durante o prazo limite de 42 dias, a responsabilidade passará para Netanyahu, cuja coligação nacionalista-religiosa encolheu de 64 para 53 assentos, mas que ainda pode tentar atrair parlamentares opositores. Se nenhum líder conseguir montar uma coalizão dentro dos prazos estabelecidos pelo parlamento, o país poderá enfrentar novas eleições, um desfecho que o presidente Isaac Herzog declarou publicamente que deve ser evitado a todo custo.


