Ex-presidente do Paraguai Santiago Peña é preso após impeachment relâmpago
Medida ocorre no mesmo dia em que Pedro Alliana assume o cargo máximo do país vizinho

Horas depois de ser destituído pelo Senado, o ex-presidente do Paraguai Santiago Peña Palacios teve a prisão preventiva decretada e cumprida nesta sexta-feira (6). A detenção foi executada pela Polícia Nacional em sua residência, onde ele permanece sob custódia e à disposição da Justiça paraguaia.
Investigações e mandado de prisão A ordem foi emitida no contexto da Causa N° 92/2026, que investiga crimes como lesão de confiança. O mandado leva a assinatura de uma força-tarefa formada por três promotores de Delitos Econômicos e Anticorrupção — Elena Fiore, Christian Benítez e Silvia González Véster — além da agente Ruth Karina Benítez, especializada em lavagem de dinheiro e delitos informáticos.
Denúncia formal e articulação política O caso ganhou tração após uma denúncia apresentada por parlamentares em 5 de novembro de 2026, complementando uma acusação anterior de outubro de 2025. A nova documentação aponta o envolvimento direto de Peña e seu círculo íntimo com o conglomerado Ueno, além de indicar que o presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo, já tinha ciência das fragilidades da instituição desde abril de 2026 sem adotar as medidas legais cabíveis.
Prejuízos aos cofres públicos Diversas entidades estatais mantinham recursos aplicados na instituição privada, incluindo o Ministério da Economia, a Itaipu Binacional, a Entidade Binacional Yacyretá e o Instituto de Previsión Social (IPS). Com a intervenção e o processo de resolução do banco, os valores que ultrapassam a garantia do Fondo de Garantía de Depósitos (FGD) agora dependem de análises judiciais para determinar se o Estado foi lesado ou se houve conivência administrativa.
Patrimônio e laços corporativos Dados de 2023 mostram que o ex-mandatário declarou investimentos expressivos ligados ao grupo financeiro, incluindo ações na Ueno Holding — comercializadas em abril de 2025 —, um Certificado de Depósito a Prazo e títulos de renda fixa da empresa Itti. Além disso, o irmão de Peña consta como sócio da U Holding SARL, controladora do banco investigado.
Consequências institucionais A prisão ocorreu simultaneamente à posse de Pedro Alliana como novo chefe do Executivo paraguaio, após os senadores rejeitarem um pedido de extensão de prazo para a defesa de Peña e avançarem rapidamente com o julgamento político. O Ministério Público segue aprofundando as apurações para dimensionar o rombo financeiro e as responsabilidades criminais dos envolvidos.


