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Brasil

Crise no Paraguai ameaça parceria com o Brasil contra facções criminosas

Senado paraguaio avança em processo de impeachment enquanto Brasília monitora impactos na segurança da fronteira.

Análise: Crise política no Paraguai pode afetar cooperação contra facções

A renúncia de Santiago Peña, motivada pela quebra do Ueno Bank, gerou uma forte crise política no Paraguai e acendeu um sinal de alerta em autoridades brasileiras quanto à segurança pública e ao combate ao crime organizado na região de fronteira.

Processo de impeachment em andamento O Senado paraguaio encerrou a primeira sessão sobre o processo de impeachment contra Peña na noite de quinta-feira (5). O presidente da Casa, Basilio ‘Bachi’ Nuñez, convocou uma sessão extraordinária para a manhã de sexta-feira (6) com o objetivo de dar continuidade às discussões.

Impacto nas relações bilaterais e incertezas Segundo a analista de Política Julliana Lopes, que conversou com integrantes do Itamaraty, o cenário atual gera apreensão na diplomacia brasileira. “Qualquer instabilidade política dos países da América Latina vizinhos ao Brasil traz um cenário de incertezas”, afirmou.

Vulnerabilidade na fronteira compartilhada A principal apreensão envolve a continuidade das políticas públicas de segurança e a eficácia da cooperação policial. A região de divisa entre os dois países funciona como um canal estratégico fiscalizado por investigadores de ambas as nações, sendo apontada como rota frequente para o narcotráfico, contrabando e tráfico de armas.

Alinhamento internacional e o “Escudo das Américas” A gestão de Peña mantinha forte proximidade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sob sua liderança, o Paraguai integrou o “Escudo das Américas”, bloco regional criado para combater a criminalidade com uma abordagem que enxerga facções como narcoterroristas. Com a possível mudança de comando, analistas questionam se o próximo governo manterá essa postura diplomática.

Aproveitamento pelas facções criminosas Para a analista, o momento é “muito delicado” e de “bastante preocupação”, uma vez que o narcotráfico costuma se beneficiar de momentos de fragilidade institucional. “As organizações criminosas observam estabilidades políticas e se aproveitam disso em qualquer país, principalmente um país de fronteira com o Brasil”, destacou.