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Mundo

Eleições nos EUA: temas polêmicos definidos em referendos locais

Além da disputa pelo Congresso, cidadãos de 30 estados votaram em 150 propostas sobre aborto, direitos trans e regras eleitorais.

Aborto, direitos trans e taxação de bilionários dividem votações nos EUA

Embora o foco das eleições de Meio de Mandato (Midterms) tenha recaído sobre a composição do Congresso americano, o pleito da última terça-feira (3) foi marcado por uma série de referendos. Em mais de 30 estados, cerca de 150 propostas foram submetidas ao voto popular, abordando temas que vão desde questões de gênero e direitos reprodutivos até inovações tributárias e regras de votação.

Restrições a atletas transgênero e tratamentos

O debate sobre a inclusão de pessoas transgênero no esporte foi um dos pontos altos das votações. Em estados como Arizona, Colorado, Nebraska e Washington, a tendência foi pela aprovação de medidas que restringem a participação de mulheres transgênero em equipes esportivas femininas. No Arizona, a nova norma foi além, alcançando escolas privadas e exigindo que banheiros e vestiários sejam destinados exclusivamente a atletas conforme o sexo biológico registrado no nascimento.

No campo da saúde, o Colorado votou a favor de proibir cirurgias de transição para menores de idade. Já no Missouri, uma tentativa de inserir a proibição de tratamentos de afirmação de gênero na constituição estadual foi rejeitada pelos eleitores, embora o estado já possua legislações restritivas sobre o tema.

Aborto e direitos eleitorais

A questão do aborto também esteve no centro das atenções. No Idaho, os eleitores barraram uma iniciativa que visava garantir o direito ao procedimento até a viabilidade fetal. Paralelamente, no Missouri, o eleitorado rejeitou uma proposta do Legislativo republicano que pretendia restabelecer a proibição do aborto no estado.

Quanto às normas de votação, houve divergências regionais. Propostas que exigiam a apresentação de documentos oficiais para o voto por correio foram rejeitadas na Califórnia e no Colorado, mas ganharam apoio em Nevada.

Redelimitação de distritos e taxação de bilionários

A disputa sobre o redesenho dos mapas eleitorais, estratégica para o controle do Congresso até 2028, também passou pelo crivo popular. Enquanto moradores do Missouri impediram a fragmentação de um distrito democrata, em Maryland, a aprovação de uma emenda facilitará ao Legislativo o redesenho de distritos, favorecendo o partido democrata.

Sobre a economia, a Califórnia votou uma medida ousada: a criação de um imposto de 5% sobre o patrimônio global de bilionários. A proposta, contudo, enfrentou resistência de lideranças locais. O governador Gavin Newsom, um possível candidato à presidência em 2028, se opôs à medida, alertando que ela poderia levar empresas de tecnologia bem-sucedidas a se transferirem para outros estados.

Outras mudanças significativas

Em Montana, os eleitores aprovaram uma proibição de gastos corporativos em eleições, buscando contornar a decisão da Suprema Corte no caso Citizens United. Já no Alasca, o sistema de voto ranqueado foi mantido por uma margem estreita. Por fim, o Alabama instituiu a obrigatoriedade da execução do hino nacional nas escolas semanalmente. O conjunto dessas decisões reflete uma sociedade americana profundamente dividida e engajada em pautas que moldam o cotidiano e a política dos estados.