Abel Ferreira faz promessa sobre arbitragem após vitória do Palmeiras
Treinador alviverde cobra rodízio de juízes na CBF e critica o calendário do futebol nacional

O técnico Abel Ferreira surpreendeu em sua entrevista coletiva após o triunfo do Palmeiras sobre o Vasco por 1 a 0, realizado neste domingo (1º), pelo confronto de ida das semifinais da Copa do Brasil. Além de analisar o desempenho em campo no duelo disputado no Nubank Parque, o comandante português garantiu que adotará o silêncio absoluto sobre a arbitragem a partir de agora e cobrou mudanças estruturais na confederação.
Promessa de silêncio sobre os juízes Questionado a respeito de um suposto toque de mão na bola do zagueiro Barboza no segundo tempo, o treinador palmeirense preferiu se esquivar do assunto. A alegação do técnico é de que ele já acumulou prejuízos excessivos por sair em defesa da instituição publicamente e reclamou do rigor excessivo das punições que sofreu nos tribunais esportivos do país.
“Não tenho que falar sobre isso. Entendo a pergunta. Poderia perguntar sobre o Lucas (Evangelista), que levou um braço na cara. Vou deixar para vocês criarem conteúdos, vocês precisam de cliques. São bons lances para isso”, iniciou o treinador.
O comandante seguiu desabafando e relembrou a quantidade de partidas em que desfalcou o time paulista por suspensões decorrentes de reclamações à beira do gramado.
“Eu já fui… Nunca nenhum treinador da história do futebol brasileiro levou tantos jogos de suspensão por reclamar. A conclusão a que cheguei, infelizmente, é que é bater em ponta de faca. Alguns ficaram muito chateados com a fala de um dos meus adjuntos, e eu entendo. Quando alguém vem de fora e reclama de coisas que acontecem, coloca o dedo na ferida, diz as verdades de um país maravilhoso, que ama o futebol e pelo qual somos gratos… Com o tempo que tenho aqui, tenho o direito de dizer o que penso, bem ou mal, como qualquer cidadão”, disse.
“Em relação aos árbitros, não vou falar mais. Sei do país em que estou. Eles precisam de condições para trabalhar. Daronco esteve hoje, vai apitar daqui a três dias depois. Falam de rodar o elenco, do desgaste emocional. Ok. E os treinadores? Todos rodam, eu não rodei. Minha esposa diz que sou maluco, que sou expulso por arremesso lateral. Alguém já pensou que pode ser a gota d’água no copo?”, continuou.
“O Palmeiras ficou sem seu treinador em nove jogos no Brasileiro. Uma vez, de um jogo passou para três. Ninguém nunca tinha levado seis jogos, na história do futebol. Muricy, Scolari, que é meu amigo… Ou querem usar o Abel de Cristo?”, questionou.
Propostas para a CBF e defesa da categoria Apesar das críticas ao volume de punições, o técnico alviverde saiu em defesa dos profissionais do apito e sugeriu que a entidade máxima do futebol nacional implemente um rodízio mais amplo entre os árbitros, diminuindo a exaustão física e mental gerada pelo calendário brasileiro.
“Os árbitros deveriam ter mais condições. Eles também deveriam rodar, deveríamos ter mais árbitros. Não deve ser fácil apitar aqui no Brasileiro. Mais do que nunca, estou me esforçando. Respeitar os árbitros, fazer uma autoanálise. Deixo para vocês, vocês se alimentam disso. Seja pênalti, expulsões… Já fui prejudicado, beneficiado. E tenho que acreditar que os erros são por erros que todos nós cometemos. Deixo para vocês analisarem”, finalizou.
Críticas ao calendário e aos gramados Outro ponto de destaque na conversa com a imprensa foi a reclamação recorrente sobre o excesso de partidas disputadas ao longo da temporada no país, além do debate em torno da qualidade dos gramados sintéticos e naturais.
“Queria entender por que os jogos não são seguidos, como nas oitavas de final. Gostaria de saber disso, vocês podem me ajudar”, disse.
“O Flamengo compete conosco para ser campeão. Preferem bons gramados ao sintético, eu também prefiro. Recuperar o sintético custa mais. E recuperar os jogadores depois daquele campo contra o Santos? É mais fácil correr na areia, com buracos, ou no tapete? Com 80% dos gramados que temos, prefiro jogar no sintético. Com três dias de recuperação e sem jogos na Data Fifa”, comentou.
“Nós aqui não escutamos o tempo. Em 11 meses, na Europa se fazem, no máximo, 60 jogos. Aqui, 75 jogos. Como se mede isso? E na Europa acham que é muito, mas na Data Fifa não tem jogos”, afirmou.
Por fim, o comandante reconheceu que houve evolução no diálogo entre as equipes e a confederação, mas reforçou que cortes no número de datas ainda são urgentes para o futuro do esporte.
“Para não falarem que só critico, está melhor, clubes e CBF estão melhores. Mas pode melhorar mais. Decisões precisam ser tomada. Finais únicas. Seria bom se fosse assim no Paulista, tira uma data. Na Copa do Brasil, podemos fazer mata-mata, sorteio, tirar mais uma data, com menos jogos”, finalizou.
Situação na Copa do Brasil Dentro das quatro linhas, o resultado positivo foi construído com gol de Maurício ainda na etapa inicial. Com a vantagem mínima assegurada no primeiro embate, a equipe comandada por Abel Ferreira poderá empatar o confronto de volta para carimbar o passaporte à decisão. Do outro lado, o Vasco precisará vencer por dois ou mais gols de diferença em São Januário para avançar de forma direta, enquanto um triunfo simples dos cariocas levará a disputa da vaga para as penalidades máximas no próximo domingo (8).



