SC sanciona lei que autoriza câmeras em salas de aula da rede estadual

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Câmeras em salas de aula: Jorginho Mello sanciona nova lei em SC. – Foto: Jonatã Rocha/SECOM/Reprodução

Lei sancionada por Jorginho Mello autoriza câmeras de monitoramento em salas de aula da rede estadual de SC

As salas de aula da rede pública estadual de Santa Catarina passarão a contar com câmeras de monitoramento. A lei foi sancionada pelo governador Jorginho Mello (PL) e publicada no Diário Oficial do Estado na última quinta-feira (22).

De autoria da deputada estadual Ana Campagnolo (PL), a nova legislação determina que as escolas estaduais deverão instalar equipamentos com capacidade mínima de armazenamento das imagens por 90 dias. O acesso às gravações poderá ser solicitado por pais ou responsáveis, mediante requerimento formal, ou ainda por meio de ordem policial ou judicial.

O texto da lei estabelece uma série de restrições e garantias. Fica proibida a transmissão das imagens ao público externo, vedada a instalação de câmeras em banheiros e exigida a fixação de placas informativas alertando sobre o monitoramento nos ambientes escolares.

Em nota oficial, o Governo do Estado afirmou que a sanção tem como objetivo ampliar a proteção escolar e a segurança patrimonial. “A eficiência dos sistemas de videomonitoramento será ampliada significativamente ao evitar que locais fiquem sem cobertura de câmeras”, destacou o Executivo estadual.

Sindicato critica medida

A Secretaria de Estado da Educação (SED) foi questionada sobre o cronograma de instalação das câmeras para o ano letivo de 2026, mas não informou prazos até o fechamento desta reportagem.

A medida, no entanto, enfrenta resistência de entidades ligadas à educação. A secretária-geral do Sinte (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina), Anna Júlia Rodrigues, afirmou que a entidade é contrária ao monitoramento por câmeras dentro das salas de aula.

“As escolas de Santa Catarina precisam de reformas de qualidade, equipamentos adequados e espaços de estudo para professores e alunos. Os professores não precisam ser vigiados”, declarou ao ND Mais. Segundo ela, a violência escolar deve ser enfrentada “com educação, respeito e valorização dos trabalhadores da educação”, e não com vigilância eletrônica.

Debate jurídico sobre monitoramento

Embora a nova lei se aplique à rede estadual, o tema já foi alvo de questionamentos judiciais em âmbito municipal. Em julho de 2025, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) declarou inconstitucional uma lei do município de Rio das Antas, no Oeste catarinense, que obrigava a instalação de câmeras em salas de aula e ambientes de professores.

Na decisão, o TJSC entendeu que a obrigatoriedade violava direitos fundamentais, como a liberdade de ensinar e aprender, além da proteção à imagem e à privacidade. A ação foi proposta pelo Ministério Público, que apontou afronta às Constituições Estadual e Federal.

Na ocasião, a prefeitura de Rio das Antas alegou que o monitoramento reforçaria a segurança e auxiliaria em processos disciplinares, argumento que não foi acolhido pelo Judiciário.

A nova legislação estadual poderá, portanto, ainda ser alvo de questionamentos jurídicos, à medida que sua implementação avance na rede pública de ensino.