EUA cercam o Caribe com fuzileiros, navios de guerra e submarino nuclear

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Tensão nas Américas: tropas dos EUA avançam para Caribe e região. – Foto: Divulgação/REUTERS

Os Estados Unidos anunciaram uma das maiores movimentações militares recentes na América Latina e no Caribe. Mais de 4.000 fuzileiros navais e marinheiros serão deslocados para a região, em uma operação que inclui recursos de grande impacto, como o grupo anfíbio USS Iwo Jima, submarino de ataque com propulsão nuclear, destróieres, um cruzador lança-mísseis e aeronaves de reconhecimento P-8 Poseidon.

A missão ficará sob o comando do Southcom (Comando Sul), responsável pelas operações militares dos EUA no hemisfério ocidental.

Ofensiva contra cartéis ou demonstração de poder?

Segundo o governo americano, a mobilização tem como objetivo reforçar a ofensiva contra cartéis de drogas, definidos pela administração Trump como “narcoterroristas”. Ao mesmo tempo, autoridades dizem que a operação amplia a presença estratégica dos Estados Unidos na região, garantindo ao presidente Donald Trump e aos comandantes militares mais opções de atuação em diferentes cenários, o que poderia ser uma demonstração de poder.

Fontes da imprensa norte-americana indicam que o movimento busca ainda pressionar o regime de Nicolás Maduro, na Venezuela.

Reações regionais

A decisão gerou reações imediatas. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou que o país rejeita qualquer forma de intervenção estrangeira e destacou que a mobilização ocorre em águas internacionais.

“Nossa opinião sempre será a autodeterminação dos povos. Não somente no caso do México, mas no caso de todos os países da América e do Caribe”, afirmou Sheinbaum.

Outros governos da região também demonstraram preocupação com a possibilidade de militarização das fronteiras. Dentro do próprio Pentágono, há questionamentos sobre o papel dos fuzileiros navais na missão, já que esse tipo de operação costuma ser realizado pela Guarda Costeira.

Canal do Panamá no radar

O envio da força-tarefa ocorre em paralelo ao crescente interesse dos EUA no Canal do Panamá, ponto estratégico para o comércio global. Um memorando assinado pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, determina que as Forças Armadas priorizem a defesa do território americano e o combate a ameaças como tráfico de drogas, contrabando humano e migração ilegal.

O documento também solicita ao Pentágono opções militares para garantir “acesso irrestrito” ao canal. Em abril, Washington já havia firmado um acordo com o Panamá permitindo o destacamento de tropas americanas em áreas próximas à travessia.